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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

CINEMANIA: OSCAR 2014 - Capitão Phillips (2013) - Captain Phillips -

Por Rossana Menezes



Direção:
Paul Greengrass
Escritores:
Billy Ray (Roteiro), Richard Phillips (Livro)
Elenco:
Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman
Release: 11 de Outubro de 2013 (USA)
Indicações: Melhor filme, Ator coadjuvante, Roteiro adaptado, Edição de som e Mixagem de som. 





Baseado no livro "A Captain's Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea" de Richard Phillips, o filme conta a história verídica (segundo o IMDB... vai saber o que realmente rolou) do Capitão Phillips e o US-flagged MV Maersk Alabama, o primeiro navio cargueiro a ser sequestrado por piratas na costa da Somália. 

Eu separaria esse filme em dois. Um mostra a dicotomia entre dois mundos. Entre um americano, casado, com filhos, capitão de um navio, cujo maior problema na vida é se seu filho está se esforçando o suficiente para entrar na faculdade. Do outro lado uma tribo somali, um país miserável, pessoas sem água, muitas vezes sem comida e até onde o ser humano é capaz de ir para sobreviver. E até onde vai a maldade humana.



O segundo é um excelente filme de ação militar dirigido por ninguém menos do que Paul Greengrass, que conta no seu currículo com A Supremacia e o Ultimato Bourne. Preciso falar algo mais??

Enfim, jogando os dois lados em uma panela e mexendo bem, temos um resultado muito bom, se não fosse a velha baboseira dos americanos salvando o mundo no melhor estilo Independence Day. 

MAS,  é uma história verídica, né... vai saber... se você ignorar toda a ufania Yankee, pode aproveitar bem os dois lados do filme. 



O filme é extremamente bem construido e bem dirigido. Vale ressaltar aqui que ele é, eu chutaria, 65% falado em somali, SEM LEGENDA! E isso é uma das coisas mais geniais do filme. O clima de tensão em volta da tripulação e dos sequestradores transborda da tela, mas fica ainda pior exatamente pelo fato da gente não entender o que eles estão falando. Já se colocou em uma situação dessas? Espero que nem em pesadelo, mas imagine o desespero de estar sendo sequestrado e ainda por cima não entender o que seus sequestradores estão falando entre si. GENIAL!

Outra jogada de mestre foi colocar atores locais para fazer o papel dos sequestradores. E sabe do que mais? O Barkhad Abdirahman (Muse), foi indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante em seu primeiro trabalho. Não tenho como dizer que não mereceu a indicação. Fiquei impressionada com todos os atores somali. Muito bons. 

Já Tom Hanks ficou de fora e eu não entendi muito bem o motivo, já que como de costume ele mostra a que veio e faz um excelente trabalho. Principalmente na cena final. 

Vale os Oscars aos quais foi indicado. Vale como um ótimo filme de ação. Vale como uma reflexão também. 

E aí, recomendado?

 

SE você curte filmes de ação militar, não se incomoda com um tiquinho de violência (nada de mais) e se não é daqueles que vai ter azia quando os americanos salvarem o mundo no final. 




Paga o Ingresso: 


*SPOILER* 
A maneira como os militares resolvem a situação depois de muito tentarem, sem sucesso, negociar. Não tem um filme que use um sniper para resolver uma situação de tensão que não ganhe o meu coração. 




E Aqui, lado a lado, o Richard Phillips real e o personagem:




Se interessou? Assista ao trailer:


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

CINEMANIA: A VIAGEM (2012) - CLOUD ATLAS

Por Rossana Menezes



Direção:
Tom Tykwer, Andy e Lana Wachowski
Escritores:
David Mitchell ... (Livro "Cloud Atlas"), Lana Wachowski, Tom Tykwer e Andy Wachowski  (roteiro).
Elenco:
Tom Hanks (6 vezes), Halle Berry (6 vezes), Jim Broadbent (6 vezes), Hugo Weaving (6 vezes), Jim Sturgess (7 vezes), Doona Bae (6 vezes), Ben Whishaw (5 vezes), Keith David (4 vezes), James D’Arcy (3 vezes), Xun Zhou (4 vezes), David Gyasi (3 vezes), Brody Nicholas Lee (3 vezes), Susan Sarandon (4 vezes) e Hugh Grant (6 vezes). 

Existe uma diferença entre fazer um filme complexo e um filme complicado. Existe uma diferença entre um roteiro bem elaborado, com uma trama intrigante, uma edição bem feita, temas que nos levam à reflexão e exigem um pouco mais dos nossos neurônios e roteiros que são feitos pra pegar os bestas e fazer com que eles saiam por aí dizendo que o filme é super "cabeça", super complicado, quando na verdade ele é mal feito. 

Dessa vez os irmãos Wachowski tentaram uma receita "nova" (assim como em Matrix eles pegaram ideias dos outros, misturaram e venderam como uma obra prima). Pegue Magnolia, Blade Runner, Laranja Mecânica, 1984, Apocalypto, junte mais 250g de péssimas ideias. Bata no liquidificador. Jogue o suco fora e do bagaço faça um filme raso, sem pé nem cabeça e reze para meia dúzia de pseudo-intelectuais adorarem e fazerem propaganda positiva. O resto vem de graça e você pode ser o próximo "Wachowski". 



Cloud Atlas fala de 6 histórias diferentes, passadas em momentos diferentes que vão desde o século 19 ao 24. São histórias incompletas e sem muita importância, que vão se desenvolvendo ao longo de três tortuosas horas. Existem duas coisas muito legais nesse filme. Uma é a edição. A maneira como as 6 histórias se revezam, como eles pulam no tempo pra frente e pra trás ficou extremamente bem feita. Confesso que pode ter complicado o filme pra muita gente. Mas eu achei super legal. Segundo é o detalhe do avanço da língua no século 24. Achei bem interessante. Não sei se houve alguma pesquisa na área de linguística da parte dos roteiristas. Só sei que me pareceu bem apropriado e muito bem colocado. 

Fora isso o filme conta com um elenco bem responsável, que torna o filme um pouco menos irritante. Elenco esse que deve ter consumido 99% do orçamento, não deixando nada para o figurino, maquiagem e efeitos visuais. Nunca foi tão claro pra mim as cenas onde foi utilizado Chroma-Key (o famoso fundo verde) e acho que eles recrutaram estudantes do segundo período do curso de maquiagem da Universidade de Quixeramobim, pois nunca antes na história dos meus reviews eu vi algo tão hediondo. 

Junte-se a isso um monte de coisas sem importância,  pontas soltas, buracos na história e uma mensagem nem um pouco original sobre evolução humana, ética, a nossa condição como seres "racionais", os nossos desejos como seres mortais,  e o grande ponto central que até vale alguma reflexão, mas que poderia ter sido feito de forma muito mais competente, sobre o lado institivo e destrutivo do ser humano, não importando o quanto estejamos evoluídos tecnologicamente, acabamos comentendo os mesmos erros na esperança de que dessa vez algo vai ser diferente.

Eu não sei nem o que dizer... recomendar eu não recomendo não, a não ser que quisesse muito sacanear alguém... mas... tem gosto pra tudo nesse mundo velho, sem porteira...  
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