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domingo, 22 de dezembro de 2013

VINHOS & Cia: Então é Natal - Champanhe, Prosecco, Cava ou Espumante?



por Sérgio Menezes
 
Para começar a desfazer as dúvidas podemos afirmar que:
Todo Champagne é espumante, mas nem todo espumante é Champagne. Nem tudo que não é Champagne é Prosecco. Logo todo Prosecco e todo Champagne é espumante.
Entendeu? Não? Então vamos explicar:

Espumante é todo vinho que passou por dois processos de fermentação. O primeiro processo é o da fermentação do açúcar da uva se transformando em álcool, comum a todos os tipos de vinho e que ocorre em barris de carvalho ou em tanques de aço inox. O segundo processo, onde o vinho adquire a efervescência (as bolhinhas de gás), pode ocorrer tanto em barris de aço inox pressurizados (método Charmat), como pelo método tradicional chamado de Champenoise.  Esta segunda fermentação ocorre na garrafa.

Os espumantes podem ser classificados segundo o teor de açúcar em Doux (Doce). Demi-Sec (Meio Seco), Sec (Seco), Extra-Sec (Extra Seco), Brut (Bruto), Extra Brut ( Extra Bruto) e o Nature Pas Dose (Natural Doce). Os mais apreciados e vendidos são o Demi Sec e o Brut.

Champagne é um vinho branco ou rosé espumante, produzido na região de Champagne-Ardenne, nordeste da França, onde tempos atrás, no povoado de Hautvillers, os monges Dom Pérignon e Dom Ruinart se esforçavam para domar o vinho produzido no local, que tinha o grave defeito de fermentar novamente depois de engarrafados, fazendo com que as garrafas simplesmente explodissem.

Embora a região também produza vinhos tranquilos (não espumantes), a grande maioria da produção é de vinhos espumantes brancos e rosados, tendo como base apenas as castas de uvas Pinot Noir, Pinot Meurnier e Chardonnay.

 
Os Champagnes  geralmente não são safrados. Apenas quando ocorre uma safra excepcional é que se declara o ano desta safra. O último grande ano foi 2002 e no mercado comenta-se que a safra de 2009 é uma das melhores dos últimos anos.


As Caves oferecem os chamados Cuvée de Prestige que, na realidade, são espumantes feitos com uvas selecionadas em vinhedos de grande qualidade (Gran Cru e Premier Cru) e envelhecidos em barris de carvalho por um longo tempo. Estes Cuvée de Prestige podem ser safrados ou não, mas incorporam o fator luxo. São batizados com nomes de personalidades: Dom Pérignon é o Cuvée de Prestige da Moet-Chandon; La Grande Dame (Viúva Clicquot) é o Cuvée de Prestige da Veuve Clicquot; Sir Winston Churchill é o Cuvée de Prestige da Pol Roger e o Cristal é o Cuvée de Prestige da Louis Roederer. Há ainda os Champagnes excepcionais   como a linha "Dom Pérignon Oenothèque" ou a linha "Krug Collection".

Portanto, podemos concluir que  Champagne é uma D.O.C., ou seja, Denominação de Origem Controlada de vinhos espumantes produzidos na região de Champagne no nordeste da França, tendo como base uvas Pinot Noir, Pinot Meurnier e Chardonnay. Qualquer vinho semelhante, mesmo produzido pelo método champanhês noutras regiões da França ou países só pode apelidar-se de "espumante" e nunca "champanhe".
 
Prosecco  era até dois anos atrás somente o tipo de uva (cepa) nativa da Italia, mais precisamente nas regiões de Valdobbiadene e Canegliano, no Vêneto. Então, não se poderia dizer que os proseccos fossem vinhos exclusivos da Itália, pois ao contrário dos champagnes, era permitido chamarmos de prosecco um vinho feito fora daquele país, desde que elaborado a partir da uva prosecco. 

No entanto, há cerca de 2 anos, a Itália, assim como fez a França no passado com seu champagne, editou lei alterando o nome da cepa prosecco, chamando-a agora de "Glera". O termo Prosecco fica reservado para a região italiana produtora do vinho, que. além do Veneto. agora também estão incluídas as áreas do Friuli. Dessa forma proíbe-se a utilização do termo prosecco para vinhos que não forem produzidos nessas regiões.  

Parece que a lei por aqui ai não pegou, sendo fácil encontrar "proseccos" nacionais vendidos nos grandes mercados e lojas especializadas.

Diferentemente dos Champagnes e dos Cavas, os Proseccos são elaborados pelo método charmat, onde a segunda fermentação ocorre em grandes tanques de aço inox e não na própria garrafa.

 
Cava é o vinho espumante de origem espanhola D.O..  geralmente produzido (95%)  na região da Catalunha.   Pode ser branco ( blanco ) ou rosé ( rosado ). Somente os vinhos produzidos no método tradicional champenoise podem ser rotulados Cavas.  Os produzidos por outros processos só podem ser chamados de "vinhos espumantes".

As principais uvas do Cava são a Macabeu, Garnacha e a Monastrell, mas também pode conter Chardonnay, Pinot Noir e Subirat. Para fazer o Cava Rosado, pequenas quantidades de Cabernet Sauvingnon tinto 
Cava é uma parte importante da tradição familiar catalã e espanhola e é frequentemente consumida em celebrações como batizados, casamentos, banquetes, jantares e festas.

O Brasil tem trabalhado duro e as vinícolas estão fazendo Espumantes de boa qualidade. Em artigos anteriores já falei de alguns premiados internacionalmente. 


Casa Valduga Espumante Reserva Brut 2009 - Casa Valduga Vinhos Finos
Courmayeur Espumante Prosecco Brut - Courmayeur do Brasil Vinhos
Garibaldi Espumante Moscatel - Cooperativa Vinícola Garibaldi
Gran Legado Espumante Moscatel - Wine Park
Ponto Nero Espumante Rosé Brut- Domno do Brasil
Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2008 - Casa Valduga Vinhos Finos
Ponto Nero Espumante Brut - Domno do Brasil
Zanotto Merlot 2007 - Vinícola Campestre Ltda.

domingo, 8 de dezembro de 2013

VINHOS & Cia: Harmonizção– Sobremesas (Parte 2)



Por Sérgio Menezes

“Estes vinhos aromáticos...são como a ambrosia tão querida ao amor” Luís de Camões (1572)

Não só de vinho do porto vivem os apreciadores de uma boa sobremesa. Há também o vinho moscatel, do qual falei em um artigo anterior.

Moscatel é o nome dado a um grupo de variedades de uva bastante adocicada, proveniente da região do mediterrâneo, talvez Grécia (Moscatel Italiano, magna Grécia) ou Egito Black of Alexandria. Podemos destacar os vinhos Moscatel da Itália, Espanha e de Portugal, na região de Setúbal e Douro (Favaios) e os espumantes Moscatel produzidos no Brasil (sendo a Cave Antiga um dos mais premiados nas Américas).

Em geral os vinhos e espumantes Moscatel  acompanham muito bem sobremesas e, quando gelados, são refrescantes e também como aperitivo

Moscatel Setúbal – Sivipa – Com cortes de várias safras , tendo como base a safra de 1999 e envelhecido em carvalho francês. Cor de mel, com graduação alcóolica de 17% (cuidado, aprecie com moderação)  o cheiro e o sabor de bolo de noiva. Bastante frutado e com bom equilíbrio entre o frescor e a doçura, tem um final persistente e harmonioso. Por ser um vinho especial deve ser servido a 16 º de temperatura, sozinho ou para acompanhar sobremesas doces ou chocolate. Tempo de guarda até 2030 aproximadamente em condições ideais.

 

Moscatel de Setúbal – Trilogia - Carregado na cor, denuncia a idade pelos tons esverdeados que apresenta. Aroma rico, fruta citrina e fruto fresco. Cheio e envolvente, com um final interminável.



Moscatel de Setúbal – J.P. 1992 – Cor ligeira, vê-se que não é velho, tem aroma fino com sugestão de passas e laranja. Muito agradável na boca, alegre mas nada enjoativo. Conjunto bem feito,  havendo safras anteriores mais ambiciosas.




 
Espumante Salton Moscatel  - É elaborado com  uvas da variedade Moscato. O mosto é fermentado em tanques herméticos de aço inoxidável (Método Asti). Possui Coloração amarelo claro esverdeado, brilhante, com espuma abundante e grande quantidade de finas borbulhas, nuances de aromas de flores cítricas, frutas tropicais, pêssego e maçã verde. Sabor levemente ácido cremoso e com um intenso frutado.

Rio Sol  Moscatel - É um espumante ligeiramente doce, leve, fino, 8% de uva moscato canelli. Apresenta uma cor amarelo-esverdeado claro e perlage intensa e persistente. Finalizando com uma ótima coroa. Seu aroma é intenso, fresco e floral, com paladar e final de boca refrescante. Premiado com a medalha de ouro no concurso nacional de espumantes 2011
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