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domingo, 15 de dezembro de 2013

VINHOS & Cia: Harmonização – Sobremesas (parte 3)

por Sérgio Menezes

“ Estes vinhos aromáticos...são como a ambrosia tão querida ao amor” Luís de Camões (1572)


Está chegando o final do ano e com ele as festas do Natal e do Ano Novo e suas guloseimas próprias, panetone, rabanada, perus, tenders, pernis, todos eles a moda da Califórnia regados  com frutas em caldas, mel de cana e outras doçuras. 

Como harmonizar tudo isto? 

Bem, já falamos do Vinho do Porto e dos Moscatéis, mas ainda falta falar de uma classe especial de vinhos doces que podem perfeitamente harmonizar com estes pratos e sobremesas do ciclo natalino. São os vinhos de colheita tardia e os Icewine ou vinhos do gelo.

Em ambos os casos há um trabalho para aumentar a concentração de açúcar na uva. No caso dos vinhos de colheita tardia (late harvest, em inglês e cosecha tardia, em espanhol) são vinhos geralmente doces, ditos de sobremesa, produzidos a partir de uvas que são deixadas na videira várias semanas após a data ideal de colheita, o que resulta em um processo de desidratação da uva e, por conseguinte, um aumento no teor de açúcar.

Outro método de aumentar a concentração do açúcar na uva é estimular a “podridão nobre” através de um fungo chamado Botrytis Cinerea, comum em ambientes úmidos e que favorecem a desidratação da baga da uva.
Alguns dos mais famosos vinhos doces naturais são produzidas dessa forma, destacando-se entre estes os franceses Sauternes e os húngaros Tokaji.

No processo dos Icewines as uvas gelam na vinha e, após a eliminação do gelo, resultam num mosto com elevada concentração de açúcar, mas de baixíssima rentabilidade, produzindo poucas garrafas por vinha. Esta concentração torna seu sabor tão recheado de aromas que, por si só, este vinho é tomado como sendo a própria sobremesa. 




Sua origem data do século 18 mas, só em meados do século passado é que o viticultores alemães começaram a produzir Eiswien de forma intencional e em bases consistentes. Hoje o Canadá, aonde este tipo de vinho chegou nos anos 70, é o maior produtor e este vinho se tornou um ícone no país. Por sua rentabilidade baixa na produção o Icewine, como se chama no Canadá, é um vinho caro.

Cerca de 75% da produção canadiana de ice wine provém do Ontário e a restante da Columbia Britânica, embora a Nova Escócia e o Quebec também produzam pequenas quantidades. A Alemanha segue de perto o líder e Áustria, Austrália, Croácia, República Checa, França, Hong Kong, Hungria, Israel, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Eslováquia, Eslovénia, Suécia e Estados Unidos, são igualmente produtores.

domingo, 8 de dezembro de 2013

VINHOS & Cia: Harmonizção– Sobremesas (Parte 2)



Por Sérgio Menezes

“Estes vinhos aromáticos...são como a ambrosia tão querida ao amor” Luís de Camões (1572)

Não só de vinho do porto vivem os apreciadores de uma boa sobremesa. Há também o vinho moscatel, do qual falei em um artigo anterior.

Moscatel é o nome dado a um grupo de variedades de uva bastante adocicada, proveniente da região do mediterrâneo, talvez Grécia (Moscatel Italiano, magna Grécia) ou Egito Black of Alexandria. Podemos destacar os vinhos Moscatel da Itália, Espanha e de Portugal, na região de Setúbal e Douro (Favaios) e os espumantes Moscatel produzidos no Brasil (sendo a Cave Antiga um dos mais premiados nas Américas).

Em geral os vinhos e espumantes Moscatel  acompanham muito bem sobremesas e, quando gelados, são refrescantes e também como aperitivo

Moscatel Setúbal – Sivipa – Com cortes de várias safras , tendo como base a safra de 1999 e envelhecido em carvalho francês. Cor de mel, com graduação alcóolica de 17% (cuidado, aprecie com moderação)  o cheiro e o sabor de bolo de noiva. Bastante frutado e com bom equilíbrio entre o frescor e a doçura, tem um final persistente e harmonioso. Por ser um vinho especial deve ser servido a 16 º de temperatura, sozinho ou para acompanhar sobremesas doces ou chocolate. Tempo de guarda até 2030 aproximadamente em condições ideais.

 

Moscatel de Setúbal – Trilogia - Carregado na cor, denuncia a idade pelos tons esverdeados que apresenta. Aroma rico, fruta citrina e fruto fresco. Cheio e envolvente, com um final interminável.



Moscatel de Setúbal – J.P. 1992 – Cor ligeira, vê-se que não é velho, tem aroma fino com sugestão de passas e laranja. Muito agradável na boca, alegre mas nada enjoativo. Conjunto bem feito,  havendo safras anteriores mais ambiciosas.




 
Espumante Salton Moscatel  - É elaborado com  uvas da variedade Moscato. O mosto é fermentado em tanques herméticos de aço inoxidável (Método Asti). Possui Coloração amarelo claro esverdeado, brilhante, com espuma abundante e grande quantidade de finas borbulhas, nuances de aromas de flores cítricas, frutas tropicais, pêssego e maçã verde. Sabor levemente ácido cremoso e com um intenso frutado.

Rio Sol  Moscatel - É um espumante ligeiramente doce, leve, fino, 8% de uva moscato canelli. Apresenta uma cor amarelo-esverdeado claro e perlage intensa e persistente. Finalizando com uma ótima coroa. Seu aroma é intenso, fresco e floral, com paladar e final de boca refrescante. Premiado com a medalha de ouro no concurso nacional de espumantes 2011
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